mudanças climáticas e o impacto na agricultura

Mudanças climáticas e o impacto na agricultura

26 / nov / 2019 | Deixe seu comentário

Agricultura e clima, como se sabe, estão intimamente relacionados. E o dilema aí colocado é que a atividade agropecuária contribui para as mudanças climáticas do mesmo modo que é afetada por elas.

O aquecimento global causa o desequilíbrio que acarreta o aumento exacerbado de temperaturas, secas rigorosas, chuvas abundantes e geadas fora de hora capazes de provocar perdas significativas e até mesmo arruinar plantações inteiras, o que potencialmente pode colocar em risco a segurança alimentar do país, além, obviamente, de provocar prejuízos muitas vezes gigantescos aos produtores rurais.

Neste post, procuraremos contribuir para a discussão a respeito das mudanças climáticas e seu impacto na agricultura, destacando os motivos, as consequências e as possíveis soluções.

Acompanhe!

Mudanças climáticas: o que são, afinal?

Mudanças climáticas são alterações do clima em todo o planeta e podem ser causadas tanto por ações naturais quanto pela ação humana.

Em geral, dois fatores – que se complementam – são determinantes para o desequilíbrio climático operado pela atividade humana, o efeito estufa e o aquecimento global. A seguir, vamos saber mais sobre eles.

Efeito estufa

É um fenômeno natural proveniente da concentração de gases na atmosfera, formando uma camada que funciona como uma espécie de reguladora da vida no planeta ao manter a temperatura adequada para a sobrevivência dos seres vivos.

Os gases de efeito estufa são espécies de isolantes que absorvem parte da energia irradiada pela Terra. Acontece que a concentração tem aumentado consideravelmente em virtude de atividades humanas, resultando no aumento da temperatura: é o chamado aquecimento global.

Aquecimento global

A emissão descontrolada de gases de efeito estufa é um processo que teve início em meados do século XVIII, com o início da Revolução Industrial. Contudo, nos dias de hoje, o lançamento dessas substâncias não é de responsabilidade exclusiva da indústria. Dentre as atividades que mais contribuem, pode-se destacar o uso de combustíveis fósseis em automóveis movidos a gasolina e diesel, o desmatamento e as queimadas.

A consequência geral do aquecimento, no que tange ao clima, é o desequilíbrio desmedido e imprevisível, capaz de causar com maior frequência eventos por vezes catastróficos, como inundações, tornados, furacões, ondas de calor, secas, tempestades etc.

Aliás, Infelizmente os prognósticos dão conta de que as emissões de CO2 tendem a aumentar, ano a ano ao redor do mundo.

Como a agricultura contribui para as mudanças climáticas e o aquecimento global?

O setor agropecuário é responsável por uma parcela significativa da emissão de gases na atmosfera, em virtude de alguns processos mal gerenciados, quais sejam:

  • desmatamento e queima de vegetação;
  • queima de cana-de-açúcar para colheita;
  • mau uso de pastagens;
  • utilização excessiva de máquinas movidas a combustíveis fósseis;
  • uso maciço de fertilizantes nitrogenados;
  • emissão de metano pela fermentação de forragens de baixa qualidade no rúmen dos bovinos;

Quais as possíveis soluções para amenizar o problema do impacto das mudanças climáticas na agricultura?

As alternativas que podem contribuir para a redução do impacto das mudanças climáticas na agricultura estão relacionadas ao emprego de técnicas sustentáveis. Eis alguns exemplos:

Sistema de plantio direto (SPD)

O Sistema de Plantio Direto (SPD) é uma boa prática agrícola que é fundamental para manter as características químicas, físicas e biológicas do solo e garantir sua sustentabilidade. Consiste em três técnicas principais que você entenderá a seguir.

Mínimo revolvimento do solo

O método tradicional de plantio consiste em inverter as camadas do solo com o uso do arado. É utilizado primordialmente nos países de clima temperado e frio, nos quais o solo fica muito exposto à neve e geadas e, portanto, necessita de revolvimento para receber o devido calor para o cultivo.

No Brasil, em virtude das características tropicais e subtropicais do clima, o solo mantém-se quente na maior parte das regiões, sendo desnecessária, portanto, a lavragem. O ideal é que seja realizada apenas na linha de semeadura, onde são depositadas as sementes.

Cobertura de palhada

Palhada é a matéria orgânica formada pelos restos da planta colhida. Retira-se a planta da terra e separam-se os grãos. Os galhos, folhas e raízes são triturados e pulverizados de volta ao solo. Uma boa cobertura de palhada é um processo que pode levar anos.

Rotação de culturas

A rotação de culturas é a alternância do plantio de espécies em uma mesma área de cultivo. É uma técnica que deve ser planejada, de modo a ordenar a cultura de diferentes tipos de vegetais em determinado período, sobre um determinado local.

O conceito de rotação de culturas, diga-se de passagem, não deve ser confundido com a ideia de sequência de culturas. Esta consiste na alternância no plantio ordenado de uma área total, ao passo que aquela designa o trato de diferentes vegetais em um mesmo espaço.

Uso de fontes renováveis de energia

Ao contrário dos combustíveis fósseis que, além de provocar graves agressões ao meio ambiente, são finitos, as fontes renováveis de energia são inesgotáveis e, se causam algum tipo de dano, o fazem numa escala muito menor.

De maneira geral, as pessoas já tem um certo conhecimento sobre a importância da utilização de fontes como a solar, a hídrica e a eólica. Por isso, optamos por destacar aqui a relevância da biomassa, a 3ª fonte de energia mais usada no Brasil.

Biomassa é toda matéria orgânica de origem vegetal ou animal que pode ser aplicada na produção de energia. Os tipos de biomassa mais usados são: a lenha, o bagaço de cana-de-açúcar, folhas e galhos de árvores, papelão, papéis etc.

 Quando usada de forma adequada, pode ser uma excelente alternativa para a substituição dos combustíveis fósseis. Do mesmo modo, também é uma ótima opção para a geração de eletricidade.

Os principais produtos derivados da biomassa são:

O etanol extraído do caldo da cana-de-açúcar, do milho e da beterraba.

O biodiesel extraído de óleos vegetais como a soja, a mamona e o dendê.

O carvão vegetal obtido por meio da carbonização da lenha.

O biogás obtido por meio da decomposição de resíduos alimentares, esgoto e excrementos.

Fixação biológica do nitrogênio (FBN)

Tem como base a capacidade que alguns microrganismos possuem de quebrar a ligação que une os dois átomos de nitrogênio atmosférico (N2), transformando-os em amônia (NH3), que é assimilável pelas plantas.

Se a associação entre esses microrganismos e as plantas tiver resultados, o nitrogênio fixado pode suprir as necessidades do vegetal e dispensar o uso de fertilizantes nitrogenados, oferecendo, portanto, vantagens de ordem ecológica e econômica.

No Brasil, o processo é bastante utilizado com as bactérias da ordem Rhizobiales, chamadas rizóbios, com plantas da família Leguminosae, as quais pertencem o feijão e a soja. Especialistas recomendam o uso da técnica de FBN para aumentar a produtividade e diminuir os custos.

Portanto, a difusão da fixação biológica do nitrogênio pode proporcionar grandes benefícios ao planeta, colaborar para a redução do uso de combustíveis fósseis e para o aumento da produção de alimentos para a humanidade.

Sistema de Integração lavoura/pecuária (SILP)

É a técnica que consiste na diversificação e rotação das atividades agrícolas e pecuárias dentro da propriedade rural de maneira planejada, compondo um mesmo sistema de benefício mútuo. A adoção do SILP possibilita que o solo seja explorado economicamente em sua maior parte ao longo de todo o ano.

O consórcio entre lavoura e pecuária é uma alternativa viável para os problemas de queda de produtividade em face da degradação resultante do cultivo sucessivo, por vários ciclos, da monocultura. A integração promove a renovação de pastagens degradadas e possibilita o estabelecimento de outras recém-formadas.

O SILP, ao fazer troca de espécies de plantas cultivadas viabiliza a rotação de culturas e permite a utilização residual de uma espécie em benefício da outra. Dessa forma, ocorre a manutenção das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, a redução da população de plantas daninhas e a quebra do ciclo de doenças e pragas. Como consequência, reduz o uso de defensivos agrícolas.

A integração lavoura/pecuária, portanto, é uma prática que valoriza a sustentabilidade e, ao mesmo tempo, permite que o produtor diversifique sua fonte de receita.

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Rodrigo Loncarovich é CEO da Agro Academy.

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