enxertia: o que é e quando fazer

Enxertia: o que é e quando fazer

3 / jan / 2020 | Deixe seu comentário

A enxertia é simplesmente uma das técnicas mais antigas utilizadas no cultivo agrícola, funcionando como um método de propagação de plantas. Apesar de simples, sua aplicação demanda certo cuidado para que as mudas funcionem e não haja desperdício de recursos ou perda de investimento. 

Preparamos esse artigo bem detalhado para que você entenda o que é enxertia, como fazê-la, quando utilizá-la e qual a sua importância. Continue lendo!

O que é enxertia?

Enxertia é uma técnica aplicada por agrônomos e outros especialistas botânicos que consiste na união de duas espécies distintas. E essa não é uma tecnologia nova: a enxertia é um processo realizado desde a idade média! Naquele tempo, o registro é de que enxertos de macieiras eram colocados sobre plátanos. 

Comprovado por estudos mais recentes, é possível, sim, realizar a enxertia entre plantas de diferentes famílias. A técnica é exaltada por estudiosos de áreas como anatomia, bioquímica e fitopatologia, uma vez que é capaz de responder muitas questões dos pesquisadores durante suas fases de desenvolvimento. 

Entretanto, também são muitas as vantagens da enxertia em geral para o cultivo no campo, mas falaremos delas mais adiante. Antes, veja a seguir como é feita a enxertia.

Como fazer enxertia?

Como visto, o método da enxertia consiste na união de duas espécies de plantas. O enxerto, também conhecido como cavaleiro ou garfo, é a parte da planta que será inserida em outra planta (da mesma espécie ou não). Esse enxerto pode ser colocado no sistema radicular ou no caule da planta “receptora”, conhecida como porta-enxerto ou cavalo.

Para que o processo seja bem-sucedido, a região cambial do garfo deve ser posta em contato íntimo com a do cavalo, permitindo a transmissão necessária entre ambas as partes. Depois que as seções forem justapostas, aquela região deve ser amarrada e envolvida por mástique, um material plástico de fácil modelagem.

Essa cobertura plástica tem o objetivo de proteger a parte exposta contra fungos, além de barrar a penetração de umidade. Atualmente, outros materiais para cobertura além do mástique já existem, valendo uma pesquisa mais detalhada do custo-benefício de cada um.

Na enxertia, cada planta mantém suas características próprias: não há a união completa dos tecidos. Contudo, os sistemas de condução xilema e floema funcionam normalmente. Com o transporte de água e minerais pelo porta-enxerto e o de substâncias orgânicas pelo enxerto, a técnica é bem-sucedida.

É fácil entender a lógica: o enxerto escolhido é a parte que se deseja continuar o desenvolvimento. Esse desenvolvimento será possível através da condução de minerais através da planta enxertada. Em compensação, o enxerto é responsável por conduzir as substâncias orgânicas produzidas na fotossíntese para o porta-enxerto. Ou seja, é uma relação mútua.

A enxertia é uma técnica que precisa ser bem-feita justamente porque ambas as partes precisam estar em sua melhor condição para conseguir aproveitar uma da outra. Se uma das seções não consegue desempenhar sua função, o sistema não funciona e aquela muda não irá para frente. 

Quando se usa enxertia?

O principal uso da enxertia acontece no cultivo de plantas frutíferas. Algumas delas são: laranja, limão, ponkan (um tipo de tangerina), manga, uva, pêssego, dentre outras. Esse método é destaque na produção de frutas porque consegue unir plantas de raízes fortes com outras que possuem copas produtivas. 

Vale destacar que a enxertia não resulta em frutos mistos: juntar os pés de goiaba e manga, por exemplo, não dá origem a uma fruta híbrida. Elas são variedades da mesma família, mas a intenção é de aproveitar os pontos fortes de cada uma e não desenvolver uma nova espécie. 

O destaque é que esse aproveitamento das melhores características de cada planta faz com que seja possível ter mudas mais resistentes a pragas, um benefício enorme para os agricultores. Ademais, plantas enxertadas dão frutos com menos tempo de espera do que as comuns. Isso porque a copa já não nasce na fase juvenil, o que reduz o período improdutivo. 

As vantagens de uma enxertia bem aplicada são muitas. Resta saber qual o tipo dessa técnica que deve ser aplicado. Veja a seguir os tipos mais comuns de enxertia no país.

Tipos de enxertia

Como toda técnica agrícola que existe há muito tempo, a enxertia não possui somente uma maneira de ser executada. Nesse caso, não tanto por conta dos avanços tecnológicos em si, mas porque cada tipo de planta demanda uma maneira de realizar o enxerto.

Os tipos de enxertia se diferem principalmente de acordo com o tipo de corte realizado na planta. Confira:

Borbulhia

Esse primeiro tipo de enxertia consiste em retirar a gema vegetativa – também chamada de borbulha – da planta matriz (que é aquela que foi selecionada para ser desenvolvida) e colocá-la no porta-enxerto. Esse pode ser de uma espécie próxima ou da mesma espécie. 

A borbulhia costuma ter apenas um garfo e o cavalo não tem a sua parte superior retirada, diferentemente da enxertia realizada através da garfagem.

Garfagem 

A garfagem é outro estilo de enxertia, sendo que neste o enxerto é retirado de parte do ramo para ser posteriormente inserido no caule do porta-enxerto, aproximadamente 20 centímetros acima do nível do solo. Também há a possibilidade de realizar o enxerto na raiz do cavalo.

Essa metodologia possui diversas subdivisões: garfagem em fenda lateral, em fenda cheia (ou no topo), em meia-fenda, incrustrada, inglesa complicada ou simples, entre outras. A escolha entre elas é feita de acordo com qual garantirá maior chance da muda ser bem-sucedida.

Enxertias “verde” e “marrom”

Além das diferenciações entre os tipos de enxertias baseadas nos cortes feitos, há uma distinção mais básica feita pelos agricultores, levando em consideração o aspecto da casca da planta. 

É sabido que a casca naturalmente sofre variações de acordo com o ambiente, a exposição ao sol e a época do ano. A denominação surge com a aparência dela, sendo a mais juvenil de coloração verde e a mais madura, marrom. 

Sob condições normais, o porta-enxerto está disponível para receber o enxerto entre 7 e 8 meses depois da repicagem: essa é a chamada “enxertia verde”. Já a “enxertia marrom” pode ser feita a partir dos 10 até 12 meses de idade do cavalo. 

Com base nisso, é possível determinar qual o melhor período para efetuar a enxertia. Um profissional competente nunca irá sugerir a realização do processo em uma planta durante a época em que sua casca está difícil de ser solta. 

Recapitulando o que foi explicado, a enxertia é o método que faz uso de duas plantas de uma mesma família ou espécie para a produção de uma nova muda, composta pelo enxerto (cavaleiro/garfo) e o porta-enxerto (cavalo). O primeiro é a planta da qual se deseja os frutos, responsável pelas substâncias orgânicas produzidas na fotossíntese, e o segundo faz o transporte de água e sais minerais. 

Observando a base de uma árvore frutífera, há grandes chances de se encontrar uma cicatriz que aponte que um enxerto foi realizado. É uma técnica bem comum! Ainda assim, é difícil fazê-la sem conhecimento especializado, pelo menos não de maneira que garanta o sucesso da muda. 

É por isso que os profissionais que sabem realizar a enxertia e conhecem os diferentes tipos existentes da técnica são tão valorizados no mercado de trabalho. A AgroAcademy  incentiva a expansão dos conhecimentos do produtor rural. Para manter-se atualizado, assine nossa newsletter – no canto superior direito da página!

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Rodrigo Loncarovich é CEO da Agro Academy.

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