Cana – Síntese mensal de tendências dos mercados para 2019/2020

4 / out / 2019 | Deixe seu comentário

As usinas do Centro-Sul do Brasil do Brasil processaram 47,815 milhões toneladas de cana na 2ª quinzena de agosto da safra 2019/2020, 9,8% acima do mesmo período da safra passada.

No acumulado da safra iniciada em 1º de abril, o processamento atingiu 398,286 milhões de toneladas, alta 1,1% sobre mesmo período da safra 2018/2019, quando foram processadas 393,742 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Com 70% da safra concluída, houve crescimento da produtividade agrícola de 5% de abril até agosto, pois, apesar do canavial envelhecido, o clima ajudou no desenvolvimento da lavoura.

 Na 2ª quinzena de agosto de 2019, 63,45% da oferta total de cana-de-açúcar foi destinada ao etanol e apenas 36,55% para a fabricação de açúcar.

No acumulado da safra 2019/2020, foram produzidos 0,610 bilhões de litros de etanol, leva alta de 0,1% sobre

o mesmo período da safra passada.  No acumulado da safra 2019/2020, foram produzidas 17,791 milhões de toneladas de açúcar, queda de 4,8% ante o mesmo período de 2018/2019. No acumulado da safra 2019/2020, o teor de sacarose está em 133,30 Kg de Açúcar Total Recuperável por tonelada processada, queda de 3,4% sobre 2018/2019.

 

No atacado de São Paulo, a tendência é de preços sustentados, com o Indicador do açúcar cristal CEPEA/ESALQ (cor Icumsa de 130 a 180) oscilando ao redor dos R$ 60 por saca de 50 Kg.

No últimos 30 dias, o preço médio do açúcar cristal no atacado de São Paulo registra uma leve alta de 1,6%, mas com recuo nominal de 3,5% em 1 ano.
Na atual temporada 2019/2020, o mix de produção das usinas do Centro-Sul é de 42,1% para o açúcar e os restantes 57,9% para a fabricação de etanol.

As vendas internas remuneram 13,3% a mais do que as vendas externas de açúcar.Na Bolsa de Nova York, as cotações do açúcar seguem abaixo dos 11 centavos de dólar por libra-peso, com pressão vinda da maior oferta global no curto prazo e do dólar elevado em relação ao Real, situação que estimula as exportações brasileiras de açúcar.
No médio e longo prazo, a tendência é de reação gradual dos preços globais, com projeção de déficit no balanço mundial, estimado em 5,5 milhões de toneladas no ciclo 2019/2020 – que se inicia em outubro/2019 – devido às
quebras previstas para a safra da Índia.
Os preços do petróleo serão decisivos para possibilitar a reação das cotações do açúcar, diante dos recentes conflitos geopolíticos que afetam a produção petrolífera.

O etanol hidratado FOB usinas de São Paulo está cotado, em média, a R$ 1,6941/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), acumulando uma baixa de 2,9% nos últimos 30 dias, enquanto o anidro está cotado a R$ 1,8445/litro (sem PIS/Cofins), com baixa acumulada de 5,2% no mesmo período.
Em 12 meses, o etanol hidratado FOB usinas acumula uma alta nominal de 1,8%, enquanto o anidro subiu 0,7% neste mesmo período.

O suporte dos preços do etanol hidratado vem da manutenção do interesse comprador e do anidro, do aumento expressivo da comercialização do mesmo nas últimas semanas.

Em relação à paridade de preços, o etanol anidro segue remunerando mais que o hidratado, em 2%, e, em termos
de remuneração entre produtos, o açúcar remunera 12% mais que o anidro e 14% mais que o hidratado.
Em São Paulo, a relação entre os preços do etanol e da gasolina C nas bombas está ainda bastante vantajosa,
em 64,4%, com médias de R$ 4,08 por litro para a gasolina C e de R$ 2,626 por litro para o etanol.

Os estoques totais de etanol no País na safra 2019/2020 de cana-de-açúcar, iniciada em 1º de abril, atingiram
7,702 bilhões de litros em 31 de agosto, 20% menor que os 9,629 bilhões de litros no acumulado dos mesmos
cinco meses da safra 2018/2019.

USINAS: CENÁRIOS PARA 2019/2020

O setor sucroenergético deve ficar ainda mais desigual na safra 2019/2020, já que as usinas que estão em boa situação devem seguir dessa forma e as que estão em más condições vão piorar.
A expectativa é de que, em 2019/2020, haja pouca alteração na alavancagem das usinas, estabilidade no câmbio e algum incremento na moagem.
As usinas em recuperação judicial devem seguir nessa situação, e as que reestruturaram suas dívidas provavelmente reestruturarão novamente, sendo que a maior parte das usinas que estão em recuperação judicial são de pequeno porte.

Além disso, as usinas em estresse financeiro costumam estar fortemente afetadas por condições climáticas adversas por período prolongado, ter baixa flexibilidade de produção (foco alto em etanol ou açúcar), alta
exposição ao dólar, entre outras características.
As usinas menos endividadas no Centro-Sul do Brasil podem aumentar sua capacidade de moagem em 89 milhões de toneladas se aumentarem suas despesas de capital (Capex), considerando uma amostra de unidades da região que têm alavancagem (relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) menor do que 3,5 vezes (nível aceitável de alavancagem em momento de investimento).

Fonte: Carlos Cogo

http://www.carloscogo.com.br/

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