análise de solo: o que é, para que serve e como fazer da maneira certa

Análise de solo: o que é, para que serve e como fazer da maneira certa

12 / dez / 2019 | Deixe seu comentário

Agricultura não é um jogo de sorte: para se obter resultados e altos rendimentos é necessário um planejamento efetivo. Decisões estratégicas só podem ser tomadas com base em dados de confiança.

Uma etapa fundamental no planejamento de toda cultura agrícola – exceto no caso dos sistemas de produção hidropônicos – é a análise de solo, processo que permite o diagnóstico das condições de fertilidade do terreno. 

Nesse artigo, vamos explicar tudo sobre a análise de solo: o que é, porque deve ser feita, quando e como realizá-la, além dos diferentes tipos existentes. Continue lendo!

O que é análise de solo ou amostragem do solo?

A análise de solo é um método de diagnóstico dos índices de fertilidade do solo. Também conhecida como amostragem do solo, é feita através de pequenas porções (amostras) representativas de uma área maior. Essa análise é o principal modo de saber se determinado terreno é adequado para a cultura pretendida. 

Além de apenas “sim ou não”, a amostragem do solo pode dar ao agricultor conhecimento sobre as propriedades químicas, físicas e biológicas, detalhando os tipos e a quantidade de nutrientes ali presentes. Isso permite que correções direcionadas (como adubação ou calagem) sejam feitas, auxiliando no aumento da produtividade. 

Existem diversos tipos de análise de solo, variando entre si em complexidade, mas falaremos de cada uma delas mais adiante. 

Para que serve a análise de solo?

Alguns profissionais tem em mente que a amostragem do solo é um processo custoso. Realmente, esse método demanda atenção tanto tecnológica quanto financeira. Então, por que fazer a análise de solo?

As chances de se obter bons resultados sem um embasamento anterior confiável (ou sequer sem realizá-lo) são mínimas. Com isso, mais dinheiro será gasto tentando consertar os erros provenientes dessa decisão. O que surge como uma tentativa de economizar resulta no aumento de gastos.

Portanto, ao compararmos o custo total de produção e o valor especulado para as amostragens, ela não é tão cara quanto se imagina. É necessário enxergar o processo de análise de solo como uma maneira de se prevenir obstáculos, e não como uma medida corretiva.

Tipos de amostragem do solo: análises química e física

Apenas a observação visual do terreno não é suficiente para identificar corretamente possíveis problemas no solo. O passo seguinte é decidir qual o melhor tipo de análise de solo para a propriedade

Para ajudar na escolha, vamos entender um pouco mais sobre cada uma delas.

1) Análise Química Completa

A Análise Química Completa é baseada em quantidades: ela analisa todos os macronutrientes – aqueles que a planta precisa em grande quantidade – e micronutrientes – necessários em doses menores – presentes no solo. 

Se não há nenhuma informação de análises anteriores (como no caso de áreas novas), essa é a análise recomendada. O mesmo vale para quando há mudança repentina do sistema produtivo ou em caso de algum problema nutricional indeterminado que aconteceu na última safra. 

Os resultados podem até mesmo indicar que o problema não foi por déficit de nutrientes no solo, mas essa dúvida só será respondida se a Análise Química Completa for realizada. 

2) Análise Química Básica de Rotina

Ao contrário da versão completa, a Análise Química Básica de Rotina é recomendada quando já existem dados previamente coletados sobre o terreno. A indicação é que esse tipo de amostragem seja realizado ao menos uma vez por ano para que se saiba como o solo está antes do manejo. 

O motivo para isso é a influência do sistema de plantio utilizado (plantio direto ou convencional, a rotação ou não de culturas, adubação verde, etc) nos nutrientes disponíveis na área. Dessa maneira, é possível manejar o solo conscientemente, sem desperdiçar fertilizantes. 

3) Análise Física

O terceiro tipo de amostragem do solo é a Análise Física. Com essa, é possível determinar a porcentagem de argila silte e areia em cada setor da propriedade analisada. Esses dados são interessantes não apenas para o manejo de nutrientes como para o uso de defensivos. 

Em áreas com um índice mais elevado de argila recomenda-se o uso de herbicidas pré-emergentes, por exemplo, para que haja uma eficiência máxima do produto. 

Quando fazer a análise de solo?

Na verdade, a análise de solo pode ser realizada em qualquer época do ano. Contudo, existem períodos mais interessantes para o agricultor fazê-la. No meio da safra, por exemplo, não é o melhor momento.

Portanto, o intervalo entre uma safra e outra pode ser um dos momentos mais propícios para realizar a análise de solo. Isso porque haverá uma otimização do tempo, possibilitando preparar o terreno e também fazer o planejamento agrícola. 

Imaginando um cenário em que a recuperação do solo seja necessária, recomenda-se a realização da análise até 3 meses antes do início do plantio da nova safra. 

E como fazer a análise de solo de forma adequada?

Existem alguns cuidados a serem tomados durante a amostragem do solo, tanto na coleta quanto no processo de análise. É necessário ter contato com profissionais de alta competência nos quais se pode confiar para que o procedimento e os resultados sejam úteis. 

Segmentamos a análise de solo em um passo-a-passo para facilitar a compreensão. Confira:

1) Dividir a área em setores menores

A primeira fase é composta pela subdivisão do terreno em porções uniformes. As amostras coletadas devem ser retiradas de regiões de no máximo 10 hectares que apresentam condições de solo homogêneas.

E atenção: a área deve estar sempre seca, nunca encharcada, distante de construções residenciais ou de armazenamento, como galpões e depósitos de adubos e defensivos. Também não deve estar próxima a estradas ou formigueiros.

A dica é ter em mente que a análise está sendo feita sobre uma área produtiva. Logo, deve-se levar em conta os diferentes cultivos e manchas de solo. É preciso retirar uma amostra de solo capaz de representar verdadeiramente aquela porção do terreno.  

2) Realizar a amostragem (coleta do solo)

Os métodos para se fazer a coleta de solo são muitos. O mais tradicional é feito manualmente, quando o profissional percorre cada setor em zig-zag enquanto colhe as amostras. 

Em torno de 20 amostras simples são realizadas em pontos distintos. Essas amostras simples serão posteriormente reunidas em um recipiente limpo e misturadas. Por último, dessa mistura uma amostra final (ou amostra composto) de 500g é retirada. 

Entretanto, atualmente já existem modos mais eficientes de amostragem, com a automatização do processo. Aprenda mais sobre a tendência irreversível da aplicação tecnológica na agricultura clicando aqui!

3) A análise e a interpretação das amostras

O passo seguinte é o envio das amostras composto para um laboratório de confiança. Quando os resultados forem devolvidos, entram em ação o(a) engenheiro(a) agrônomo(a) e/ou o(a) consultor(a) responsável pela propriedade. 

Com a interpretação profissional dos resultados, haverão recomendações para a correção e a adubação e/ou calagem adequada do solo. Também considera-se a cultura da safra seguinte, o tipo de manejo que será feito e o capital disponível.

A importância da análise de solo

E então, ficou mais fácil de entender o processo de amostragem do solo? Essa é uma técnica simples, mas que pode evitar diversos problemas mais adiante. A realização periódica da análise física ou química do solo é necessária para que se documente as mudanças no sistema de produção. 

O manejo e o redirecionamento de recursos é otimizado e o aumento da produtividade é garantido. Você sabe quais são as outras possibilidades para o aumento da produtividade além da análise de solo? Clique aqui e confira nossas dicas!

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Rodrigo Loncarovich é CEO da Agro Academy.

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